Evento Entre Vozes e Vivências: Perspectivas do Espectro Autista reúne cerca de 90 pessoas na Câmara Municipal
Cerca de 90 pessoas participaram do evento “Entre Vozes e Vivências: Perspectivas do Espectro Autista” realizado no dia 28 de abril no Plenário da Câmara Municipal, pela Escola Legislativa Porto-Felicense (ELEP) em parceria com a Associação Paulista das Escolas Legislativas e Contas (APEL) e apoio das Secretarias Municipais de Educação e Saúde.
O evento foi estruturado com apresentações artísticas, palestra técnica e uma roda de conversa com convidadas de diferentes áreas e vivências. “A proposta de um encontro multidisciplinar e multiformato serve para provocar reflexão e oferecer instrumentos práticos para a construção de caminhos mais humanos e inclusivos, por meio do incentivo ao exercício da cidadania e da criação de políticas públicas, que são pilares de atuação da Escola Legislativa”, afirma a apresentadora do evento, Cíntia Papile, que é Coordenadora da ELEP e Assessora de Imprensa e Comunicação da Câmara.
Além da Presidente da Casa, vereadora Roselene dos Santos, estiveram presentes os vereadores Marcelo Tuani, Luís Henrique Diniz, Lúcia Caballero e Pascoal Laturrague. O Presidente da APAE de Porto Feliz, Dorival Banhete, e o Secretário Municipal de Educação, Celso Iversen, também marcaram presença, bem como o Diretor Legislativo e de Políticas Públicas da Câmara, Jeovani Zauro, o Diretor da ELEP, Luís Araújo e os Conselheiros da ELEP, Márcio Yamamoto e Guilherme Chinelatto.
Compromisso institucional e educativo
A abertura foi marcada pela fala da presidente Roselene, que destacou compromisso institucional com a causa. “Que esse seja um momento de escuta, aprendizado e construção de caminhos mais inclusivos para a nossa cidade”, declara.
O secretário de Educação, em seu discurso, reforçou que o diálogo é a ferramenta essencial para a inclusão e o acolhimento na sala de aula deve ser humano, pontuando que o papel do educador é buscar conhecimento para oferecer oportunidades reais de sucesso aos alunos.
Entre Sons e Sentidos: música como instrumento de inclusão
A programação teve início com a sensibilidade da música. A banda Unidos da APAE, sob regência da musicoterapeuta Gisele Deliberali, emocionou o público presente com belas apresentações musicais. Em seguida, Gisele ministrou uma palestra sobre musicoterapia e musicalização. A profissional explicou a distinção entre o ensino musical e a terapia. Enquanto a musicalização foca no aprendizado do aluno, a musicoterapia utiliza o som como recurso de saúde para promover o bem-estar e a comunicação. "Musicalização é um processo em que a criança tem etapas de aprendizagem. Já a musicoterapia é uma área da saúde que utiliza a música para promover o bem-estar físico e emocional", pontua.
Entre tantos benefícios, a profissional destaca a inclusão e o pertencimento. "Se a música é de todos, ninguém fica de fora", ressaltou, demonstrando como a música serve de ponte para a construção de vínculos.
Roda de Conversa: diversidade de saberes e olhares
No momento da roda de conversa, mediada pela jornalista Cíntia Papile, as três palestrantes convidadas realizaram suas apresentações e, em seguida, houve um momento de interação com perguntas conduzidas pela mediadora e outras vindas do público.
Com 28 anos de experiência, a Terapeuta Ocupacional e Arteterapeuta Raquel Ortega destacou a arteterapia como um caminho poderoso para a autorregulação e a expressão de sentimentos complexos, como o luto e a ansiedade. Ela destaca que a arte permite acessar o mundo interno do autista quando a fala falha. "Na falha de comunicação, a arte é essencial. A arte tem algo quente, que nos aproxima de forma inerente", afirmou, citando como o uso de tintas e texturas auxilia na organização sensorial.
A psicopedagoga Thayara Vaz focou no Atendimento Educacional Especializado (AEE), área que tem 16 anos de experiência, defendendo o protagonismo do aluno em sua própria trajetória.
A profissional destacou que a rede municipal de Porto Feliz atende atualmente mais de 200 alunos com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para a professora, a inclusão depende do vínculo do professor com o aluno e a família. Ela destacou também a importância das adaptações curriculares para que o estudante participe efetivamente das aulas, e não esteja lá apenas por socialização. "A gente tem que estar atento para que ele participe efetivamente das atividades, se ele tiver as ferramentas certas, vai conseguir. Nosso principal objetivo é que esse aluno seja protagonista da sua própria história", destaca.
Para completar a roda, Danuza Paschoal trouxe humanidade ao debate técnico, abordando a vivência da maternidade atípica com os desafios práticos (seletividade alimentar e outros comportamentos) e a dor dos olhares julgadores da sociedade.
Em um relato de superação, ela destacou a importância de respeitar o tempo individual da criança. "A aceitação trouxe a gratidão e a leveza para caminhar por esse caminho tão cheio de pedras, obstáculos e desafios. Deixei de querer que o meu filho evoluísse no meu tempo, comecei a compará-lo com ele mesmo e então pude vibrar com cada conquista”, aconselhou.
Compromisso com a cidadania
Ao encerrar a roda de conversa, a mediadora Cíntia reforçou que o propósito do evento foi justamente conectar essas diferentes realidades e trazer informação qualificada para transformar em conhecimento prático. "Como você exerce a cidadania se você não tem a informação do que está disponível e de como é possível realizar? O papel da Escola Legislativa também é esse: proporcionar esse espaço de voz, escuta e reflexão, conhecer o que existe, conhecer outras ferramentas possíveis, entender o que cada um pode realizar para transformar em um conhecimento real e a sociedade realmente mais inclusiva em todos os seus âmbitos”, aponta. A iniciativa reafirma o papel da Escola Legislativa como agente de formação cidadã.
A Presidente da Casa encerrou o evento agradecendo a participação de todos e enfatizou a importância de dar continuidade às reflexões iniciadas no evento.
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